Apoio da CNBB às manifestações
(26/06/2013)

Ouvir o clamor que vem das ruas


Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunidos em Brasília de 19 a 21 de junho, declaramos nossa solidariedade e apoio às manifestações, desde que pacíficas, que têm levado às ruas gente de todas as idades, sobretudo os jovens. Trata-se de um fenômeno que envolve o povo brasileiro e o desperta para uma nova consciência. Requerem atenção e discernimento a fim de que se identifiquem seus valores e limites, sempre em vista à construção da sociedade justa e fraterna que almejamos.

Nascidas de maneira livre e espontânea a partir das redes sociais, as mobilizações questionam a todos nós e atestam que não é possível mais viver num país com tanta desigualdade. Sustentam-se na justa e necessária reivindicação de políticas públicas para todos. Gritam contra a corrupção, a impunidade e a falta de transparência na gestão pública. Denunciam a violência contra a juventude. São, ao mesmo tempo, testemunho de que a solução dos problemas por que passa o povo brasileiro só será possível com participação de todos. Fazem, assim, renascer a esperança quando gritam: “O Gigante acordou!”

Numa sociedade em que as pessoas têm o seu direito negado sobre a condução da própria vida, a presença do povo nas ruas testemunha que é na prática de valores como a solidariedade e o serviço gratuito ao outro que encontramos o sentido do existir. A indiferença e o conformismo levam as pessoas, especialmente os jovens, a desistirem da vida e se constituem em obstáculo à transformação das estruturas que ferem de morte a dignidade humana. As manifestações destes dias mostram que os brasileiros não estão dormindo em “berço esplêndido”.

O direito democrático a manifestações como estas deve ser sempre garantido pelo Estado. De todos espera-se o respeito à paz e à ordem. Nada justifica a violência, a destruição do patrimônio público e privado, o desrespeito e a agressão a pessoas e instituições, o cerceamento à liberdade de ir e vir, de pensar e agir diferente, que devem ser repudiados com veemência. Quando isso ocorre, negam-se os valores inerentes às manifestações, instalando-se uma incoerência corrosiva que leva ao descrédito.



Sejam estas manifestações fortalecimento da participação popular nos destinos de nosso país e prenúncio de novos tempos para todos. Que o clamor do povo seja ouvido!

Sobre todos invocamos a proteção de Nossa Senhora Aparecida e a bênção de Deus, que é justo e santo.

Brasília, 21 de junho de 2013

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís
Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Fonte da Notícia: CNBB


Versão para impressão
    Sobre o autor
Banco Pire

Banco Comunitário de Desenvolvimento
Outros artigos

  » O que é uma Economia Solidária?
  » Comunhão com o povo de Brumadinho
  » NOTA DA CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS CATEQUISTAS FRANCISCANAS
  » Confie Sempre
  » Sementes de ontem, frutos de hoje, Sementes de hoje, frutos de amanhã!
  » Só de Sacanagem
  » Eleições 2018:Compromisso e Esperança
  » Economia Solidária como alternativa e crítica ao capitalismo
  » Os Jogos Olímpicos entre patriarcado e elitismo
  » Conhecendo o Cerrado
  » 2ª Romaria do Cerrado
  » Campanha de Coleta de Assinaturas #Contra o Golpe #Fica Dilma #Avança Senaes
  » TRAJETORIA DA ECONOMIA SOLIDÁRIA E BANCO PIRE EM DOURADOS - MS
  » A dolorosa resistência dos Guarani Kaiowá
  » Violência contra guaranis no Brasil pode ser considerada uma crise humanitária
  » Sobre a Água
  » A crise é hídrica, não energética
  » Sobre a água: Sem drama. Sem sentido. Sem vida!
  » Plebiscito popular por reforma política é nesta semana
  » Reforma política: somar, não dividir!

1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - Próxima
Banco Pire 2020 - Rua Ramão Osório, N° 10 - Vila São Braz - Dourados - MS - CEP: 79843-250
Fone: (67) 3020-2504 / (67) 99657-2504 - E-mail: ammbancopire01@gmail.com