A política do café requentado
(25/04/2011)

Insistir no caminho próprio ou deixar para depois porque a conjuntura agora só permite estar no espaço da pequena e micro empresas é uma questão de vida ou morte para quem está construindo a Economia Solidária e autogestão.

Questão de natureza: somos de realidades distintas porque nossa relação não é de capital, mas de pessoas. Administrar o negócio e estar organizado sem relação de dominação (subalternidade, submissão) é radicalmente diferente da relação que se dá intermediada pelo capital, seja ele grande ou pequeno. É por conta disso que não queremos abrir mão de nossa identidade de princípio e de ação. Os fóruns estão dizendo isso na última plenária e nestas últimas consultas.

Questão de método: é pela fala e, principalmente, é pela ação que se constrói. É pela solidariedade autogestionária que se educa para autogestão. Por conta disso é que sempre buscamos garantir debates abertos, democráticos (nas plenárias e nos fóruns, por exemplo) e não entre quatro paredes com articulações ou negociações de uma cúpula minoritária que tudo decide. Assim, esta questão remete às formas de se fazer política. Por quê? Porque se pode fazer política com participação direta e não apenas através de representação. Isto é num modelo diferente do que se faz na política por representação sindical ou partidária. Não são as únicas formas. Felizmente! De forma semelhante, a questão de se estar ou não estar no governo; é importante a participação institucional, mas nã o indispensável ao ponto de se perder a identidade. Porque, aí, é fim de linha.

Mas não existe a questão da estratégia?

Embarcar nesta de que agora é com micro e pequena e que depois é que se chega onde se deseja, é política requentada da velha social-democracia que dissocia o começo do fim, o imediato do histórico, dizendo que é preciso primeiro resignar-se para depois fazer o que de fato se quer. Só que este segundo tempo nunca veio e não virá. É histórica a campanha da direção de 2ª Internacional Socialista dizendo que não se estava organizado, que era hora de se associar ao capital nacional para depois, depois, depois... O depois num vem porque se perdeu o poder de decisão (desmoralizou-se perante suas bases, por exemplo). Ah! Mas existe a possibilidade de incluir no texto isto e mais aquilo. Bem vamos ficar atentos: primeiro, os papéis aceitam tudo; segundo, o poder de fazer cumprir o que está escrito, fica com quem? Com as direções? As que decidem entre eles mesmos restando a você participar com a surpresa e indignação, como acabou de acontecer.

A Economia Solidária está passando por mais um momento em que decide seu destino. Daí a necessidade de se ir além da decisão. É hora de tomar posição.


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Luigi Verardo

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