Violência contra guaranis no Brasil pode ser considerada uma crise humanitária
Por Adital em 23/09/2015
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Membros de um dos povos indígenas mais perseguidos do Brasil foram sequestrados pelos fazendeiros que ocupam suas terras. A comunidade sofreu, na última sexta-feira, 18 de setembro, pela manhã, um ataque violento, que ademais obrigou mulheres e crianças a fugirem.
A comunidade guarani, de Pyelito Kuê, havia reocupado uma pequena parte da sua terra ancestral dois dias antes e, desde então, tem sido vítima de ataques nas mãos dos pistoleiros contratados pelos fazendeiros. Uma mulher guarani teria sido estuprada e agredida, e, agora, está hospitalizada.

Na sexta-feira, 18, pela manhã, os pistoleiros voltaram a atacar os indígenas desta comunidade. As informações assinalam que vários ficaram feridos e muitos fugiram aterrorizados para uma pequena parcela do bosque. Cerca de 30 indígenas foram obrigados a subirem na parte traseira de uma caminhonete, que os conduziu longe para abandoná-los finalmente em um canal. Durante o fim de semana, se encontravam ainda na rodovia, separados forçadamente do resto de grupo, que fugiu para o bosque. Não contavam com fornecimento de água ou bons meios de comunicação.

Os pistoleiros destruíram também as equipes de comunicação do projeto "Voz indígena”, facilitado pela organização em defesa dos povos indígenas e tribais Survival Internacional. Este permite que os indígenas se comuniquem com o restante do mundo e denunciem sua situação.
Os indígenas estão há anos suportando viverem amontoados em reservas situadas em uma minúscula parcela de terra, apertados entre um rio e um "mar” de soja, e em meio a uma plantação de eucalipto. Os fazendeiros têm feito, com o poder de todas as suas terras e seus capatazes pagos, atacam com frequência os indígenas.

No último sábado, 19, foram registrados novos ataques de pistoleiros, desta vez contra a comunidade de Potrero Guasu. A agressão terminou com três guaranis feridos e hospitalizados, e a totalidade de seus lares e pertences queimados.

O líder da comunidade Pyelito Kuê, Márcio, declarou a Survival International: "É terrível. Os pistoleiros nos atacaram no meio da noite. Queimaram tudo. Atiraram em nós. Alguns dos meus familiares ficaram feridos e muitos fugiram. Não sei onde nem como estão agora. Faremos tudo o necessário para retomar nossas terras. Não nos renderemos”.
Este é apenas o último de uma série de ataques violentos dos fazendeiros contra o povo indígena guarani. Segundo a Constituição brasileira, as terras indígenas deveriam ter sido demarcadas e devolvidas aos indígenas para seu uso exclusivo, em 1993, mas, 22 anos depois, muitos indígenas continuam sem terras e despossuídos.

A Survival chama a uma ação urgente: escrever para a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, pela imediata demarcação da terra guarani e para evitar que se percam mais vidas.



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