TRAJETORIA DA ECONOMIA SOLIDÁRIA E BANCO PIRE EM DOURADOS - MS
Por Neusa Gripa em 21/10/2015
www.bancopire.com.br



A Economia Solidaria caracteriza-se como uma forma de organização econômica que tem por base a cooperação, a autogestão a solidariedade e a atividade econômica. Essas características exigem mudanças culturais profundas de valores e princípios que orientam o comportamento e as práticas sociais, políticas, culturais e sentimentais dos trabalhadores/as que escolhem viver a prática da economia solidária.
Nos últimos anos, a economia solidária vem se apresentando como inovadora alternativa de geração de trabalho e renda com base nos princípios de cooperação, solidariedade, justiça, ética, equidade, respeito ao meio ambiente e valorização dos trabalhadores.
Compreende uma diversidade de práticas econômicas organizadas através de cooperativas, associações, grupos informais, micro ou pequenas empresas, crédito e finança solidária, trocas, comercialização e consumo.
Além da geração de renda a economia solidária propõe uma mudança nas relações interpessoais e com o meio ambiente. Prega a cooperação em vez de competição. Defende a preservação dos recursos naturais e a não exploração dos/as trabalhadores/as. Esse conceito surge em contraposição à economia dominante que priorizando o lucro, gera desemprego e desigualdade social. Ela tem a potencialidade de representar uma nova forma de organização dos/as trabalhadores/as e um empenho coletivo de inserir os excluídos no mercado e na sociedade.
É um movimento amplo e profundo que vem se fortalecendo e se organizando em parceria entre entidades e governos. E é nesse cenário que emergem praticas de relações econômicas e sociais que de imediato, propiciam a sobrevivência e a melhoria na qualidade de vida de milhões de trabalhadores/as em diferentes partes do mundo.
O movimento cresce no Brasil e na América Latina. Nos últimos anos o Brasil tornou-se uma referência internacional no assunto. Segundo a secretaria nacional de economia solidária (SENAES), órgão criado pelo governo para apoiar as essas iniciativas de Economia Solidária, existem mais de 22.000 empreendimentos econômicos solidários e movimenta cerca de dezoito bilhões de reais por ano e dela participam 2,7 milhões de pessoas.
Mas os desafios ainda são muitos. Se grande parte de nós nos envolvemos na solidariedade abraçando e apoiando a economia solidária em toda sua amplitude, talvez possamos viver as mudanças econômicas tão esperadas e almejadas.
Se a sociedade brasileira se organizar e recusar a consumir produtos transgênicos, com agrotóxicos e ou produtos provenientes das multinacionais, e passar a comprar diretamente dos produtores, não se deixando ser explorada e exigindo que não haja trabalho infantil nem exploração da mão de obra, as relações comerciais começarão a mudar e nós teremos voz ativa na regulação da produção e comercialização dos produtos que consumimos. Surgirá então o comércio justo não apenas como alternativa de cooperação comercial para produtores excluídos, mas como um conjunto de práticas que rompe com o paradigma econômico e a visão de desenvolvimento dominante.
A prática do consumo, comércio, produção e crédito solidário é capaz de viabilizar a construção de uma nova sociedade, mais justa e ecologicamente equilibrada. É capaz de gerar postos de trabalho e distribuição de renda, constituindo-se em uma alternativa viável para assegurar o bem viver do conjunto das sociedades.
Um mundo mais justo e solidário somente terá lugar e vez, quando todos nós, homens e mulheres juntarmos forças e, coletivamente caminhar numa mesma direção, qual seja, erradicar os males econômicos e sociais que o capitalismo impõe. A construção desse modelo de sociedade depende de nós.
A “Associação Mulheres em Movimento” foi fundada em janeiro de 2004 com o objetivo de apoiar a Rede de Economia Solidária de Dourados - criada em 2001. Suas atividades principais na época da fundação foi o acompanhamento técnico e suporte financeiro aos empreendimentos solidários e a formação cidadã dos(as) empreendedores(as).
A população douradense está encontrando na Rede de Economia Solidária uma alternativa de sustento para suas famílias, por isso, em tão pouco tempo tem aumentado de forma significativa o número de empreendimentos solidários. Entre eles: padarias, lanchonetes, cabeleireiros, lavanderias, malharias, lingeries, produtos de limpeza, fabricação de chinelos, organização de festas, trabalhos manuais, artesanatos e outros serviços.
No decorrer desses 11 anos de existência, a Associação Mulheres em Movimento tem contribuído fortemente com recursos financeiros e humanos na formação cidadã das pessoas, principalmente dos empreendimentos de Economia Solidária, através dos cursos:
1. “Aprender a empreender” – como tocar seu próprio negócio, contabilidade, giro, concorrência, etc;
2. “Técnicas em vendas” – Como vender mais e melhor, estratégias de venda, como agradar o cliente, etc;
3. “Juntos somos fortes”- cooperativismo, legalização, trabalho coletivo e compromisso grupal nas metas traçadas.
4. “Seminários sobre Consumo Ético e Solidário” – como criar outra prática de consumo e os diferentes tipos de consumo.
5. Conferencias e Plenárias municipais de Economia Solidária.
6. Encontros mensais de revitalização e partilha de saberes entre os empreendimentos.
7. Curso “Gestão de Empreendimentos” – Como montar um empreendimento de economia solidária.
8. Formação para a cidadania – com os beneficiados do Banco Pire.
9. E outros como: reuniões, palestras, audiências públicas, etc.

Em 2006, a Associação Mulheres em Movimento junto com a Rede de Economia Solidária de Dourados, viu a necessidade de dar um passo a frente, e com grande expectativa. Passou a Integrar à Rede Brasileira de Bancos Comunitários e cria o BANCO PIRE.
O Banco Pire oferece serviços financeiros solidário, voltados para o desenvolvimento da comunidade e para a geração de trabalho e renda. Diferente de outros bancos e financeiras, o Banco Pire busca através de seus serviços, a valorização das pessoas e de suas potencialidades, contribui para reforçar as relações de proximidade, confiança e convivência, enfim, com uma comunidade mais humana e geradora de mais vida.
Hoje, o Banco Pire atua na comunidade nos seguintes espaços:

 Finanças solidárias: (linhas de crédito: produtivo, comercial, bem estar e consumo);
 Formação mensal com os beneficiados com o crédito solidário;
 Conselho Gestor ( grupo de lideranças das comunidades onde o Banco Atua)
 Fundo Solidário do Banco Pire (organização criada com o objetivo de contribuir com a sustentabilidade do Banco Pire)
 Acompanhamento aos empreendimentos
 Programa semanal na Radio Comunitária – Comunidade em Ação
 Grupo mensal: Mulheres em Ação – parceria com a UEMS
 Oficinas periódicas (jornal, conservas, ervas medicinais...)
 Noite Cultural da Comunidade – mensal
 Projeto de Educação Financeira - BACEM
 Grupo de gestantes – parceria com Rotary Club
 Projeto: A Beleza do Bairro - aproveitamento de materiais reciclados

Além dessas atividades, o Banco Pire Acompanha a Rede de Economia Solidária do Município de Dourados com as seguintes ocupações:

 Encontros mensais de formação (formação política e social voltada ao movimento de Economia Solidária);
 Finanças solidárias - com acompanhamento periódico aos empreendimentos que receberam o crédito;
 Participação efetiva no Conselho municipal de Economia Solidária;
 Participação do Fórum municipal;
 Feira semanal da Economia Solidária;
 Programa semanal na Radio Boa Nova desde 2006;
 Apoio logístico das duas Lojas Solidárias que agregam em torno de 80 empreendimentos.

Todas essas atividades da Associação Mulheres em Movimento, desenvolvidas através do Banco Pire, só foi possível, com a contribuição solidária de pessoas que acreditam numa economia voltada para a comunidade, para a transformação e a liberdade, ou seja, um ensaio para o bem viver.
A Economia Solidária de Dourados já conquistou vários espaços junto às políticas públicas do Município: uma Loja Solidaria no centro da cidade, que viabiliza a comercialização da produção dos empreendimentos; em 2012 a aprovação da Lei Municipal de Economia Solidária e nesse ano de 2015, foi aprovada uma lei municipal que garante 30% dos espaços de comercialização em eventos promovidos pela prefeitura e também a constituição de uma Feira Semanal para o Movimento de Economia Solidária. Mas isso ainda é pouco diante da dimensão do município de Dourados, visto que toda a parte de organização, formação e acompanhamento aos mais de 150 empreendimentos de economia solidária e as 10 comunidades atendidas diretamente pelo Banco Pire, fica sob a responsabilidade da Associação Mulheres em Movimento, que age como “motor” de toda essa organização.
Em 2010 o Banco Pire foi contemplado com um edital da SENAES/MTE (Secretaria Nacional de Economia Solidária/Ministério do Trabalho e Emprego), denominado: Apoio às finanças solidárias com base na organização de bancos comunitários. Esse projeto contribuiu e muito com o Banco Pire, principalmente com a contratação de pessoas para trabalhar no Banco Comunitário. O mesmo projeto foi renovado e encerra neste ano de 2015.
A não manutenção de salário para os “Agentes Comunitários” inviabilizará as demais atividades do Banco Pire, principalmente o recurso destinado ao Crédito Solidário.
Contamos com você para a continuidade deste trabalho que resgata vidas para a sociedade com ética e solidariedade, autoestima e dignidade.
Você também pode contribuir:
- Participando na Campanha “Amigos do Pire”;
- Integrando ao “Fundo Solidário do Banco Pire”;
- Coletando materiais para o “Bazar do Banco Pire”;
- Participando da “Rede de Economia Solidária” e da “Mulheres em Movimento”.



Contamos com você



Neusa Gripa - ICF



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